sábado, 2 de fevereiro de 2013

De mãe para mãe


 
Conteúdo está na moda e não me resta mais dúvida e até agências tradicionais estão correndo atrás, com erros e acertos. Dessa vez, vou falar de um acerto da F.biz, que criou uma página voltada para mães produzida e patrocinada pela Lifebuoy, marca de sabonete antibacteriano, dentro do portal MSN Brasil.

A seção, chamada De Mãe para Mãe, reúne três blogueiras (Mariana Della Barba, Adriana Teixeira e Ana Kessler) e mães que escrevem sobre temas da maternidade de uma forma bem leve, mas sem deixar de mostrar conhecimento de causa.

Acho que marcas que se propõem a prover conteúdo, principalmente informativo, precisam se comprometer com a atualidade e renovação. O espaço De Mãe para Mãe tem essa pegada, falando, por exemplo da volta às aulas ou comentando a tragédia da boate de Santa Maria e da dor que ela provocou em todas as mães. Outro ponto importante é que percebi nos textos a intenção de transmitir valores, mas sem apelar para o moralismo. Em um texto sobre a volta às aulas e à rotina do trânsito, por exemplo, Adriana Teixeira destaca as lições de falta de civilidade que os pais costumam transmitir aos filhos neste momento. Ela questiona: “(...) desde quando a solução quando desrespeitam nosso direito é desrespeitar o direito dos outros? É isso que pretendemos ensinar pra nossos filhos? A lei da selva? Buzinas, xingamentos, fila dupla, estresse – esse é o cenário que você sonhou pra porta da escola dos seus filhos?

E ilustra com uma atitude bonitinha e civilizada da própria filha:

“Outro dia, apressada com a nova rotina da Bruna, que já voltou às aulas, material em ordem, lanche pronto, fui alertada que estava esquecendo o guarda-chuva, “mamãe, a gente sabe que não vai ter vaga perto da escola e que teremos de andar um monte!” Naquela hora ela não reclamava da caminhada, porque já aprendeu que estacionar corretamente, nem que seja no “fim do mundo” é o preço que pagamos para ser uma boa cidadã em São Paulo. Bruna só não queria correr o risco de chegar à escola com seu material novinho molhado por culpa das chuvas repentinas de verão. Garota sabida! »

Pela quantidade de posts que já postei aqui falando de cases voltados para gestantes e mães, não resta dúvida de que dialogar com este público é importante para muitas marcas. Acredito que é porque é um público que precisa estar atento a aprender coisas novas todos os dias de suas vidas e também estar disposto a rever constantemente seus ideais e valores.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Conteúdo não é rei, é o reino

Optimize, de Lee Oden: os consumidores esperam  reconhecer algo de valor na marca antes mesmo do momento da compra. O content marketing pode atuar nesse momento.

                                                                                                                          
Faz tempo que comprei o livro "Optimize - How to Attract and Engage More Customers by Integrating SEO, Social Media and Content Marketing", Lee Oden, um dos maiores especialistas em marketing digital. Demorei um pouco para fazer a resenha porque o conteúdo é muito denso e cheio de termos técnicos. Eu que sou jornalista e não especialista em marketing, precisei correr atrás de algumas coisas, entender algumas siglas e termos e também a aplicabilidade deles.

A grande premissa do livro é que o conteúdo estratégico e bem alinhado é fundamental para o sucesso de comunicação de qualquer negócio. "Conteúdo não é rei, é o reino", diz o autor. No entanto, as pessoas precisam chegar facilmente até eles na web, aí a importância de não abandonar pelo caminho as estratégias de SEO e social media. Tudo precisa funcionar junto. Os capítulos do livro estão divididos em três partes: planejamento, implementação e escala e todos têm o conteúdo como centro. Veja a relação que ele estabelece entre conteúdo, busca e redes sociais:

Os consumidores não estão interessados no marketing disruptivo. Eles querem ser informados e entretidos e eles cada vez mais esperam valor de algum tipo vindo das marcas antes mesmo que estejam em uma situação de compra. Ambos os consumidores, tanto os B2B quanto os B2C, esperam encontrar respostas além dos produtos e serviços pelos quais eles estão procurando via mecanismos de busca. Eles também esperam interagir socialmente com o que eles encontram nas buscas (...)

Consumidores esperam conteúdo das marcas. Eles também esperam uma descoberta fácil e a possibilidade de interagir com eles e compartilhá-lo socialmente com outros que têm interesses semelhantes (...) - página 53

Apesar de ser técnico e ser uma leitura um tanto difícil para quem não tem tanta familiaridade com alguns termos de marketing, o livro vale muito a pena. O meu eu encomendei na Amazon e pedi para entregar no hotel onde minha colega de trabalho estava hospedada na Califórnia. Paguei uns US$ 20. Não sei se vendem por aqui, nunca encontrei e nem me deparei com uma versão traduzida.

Não me parece tão fácil conseguir um exemplar, mas o autor é editor do Toprankblog e constantemente compartilha pesquisas, artigos e cases bastante interessantes por lá.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Momento de mundanças

Delboni criou o portal Clube 9 Meses para gestantes


O Delboni Auriemo lançou no fim do ano passado um portal voltado para gestantes chamado Clube 9 Meses. É, na verdade, a extensão de um programa que o laboratório já tinha para as grávidas, em que as mulheres cadastradas podem ser sempre acompanhadas pela mesma equipe médica e têm alguns benefícios como prioridade no agendamento.

A proposta do portal online é oferecer informações sobre cada semana da gravidez, com guia de exames para cada mês da gestação e dicas relacionadas à maternidade como parto, amamentação, enjoo, peso, entre outros assuntos.

Eu naveguei um pouco pelo site e o que me chamou a atenção logo de cara foi o design, que não é dos melhores, além de ser um tanto confuso. Para falar das semanas de gestação, há fotos de bebês e com isso uma indução a pensar que os textos tratarão do desenvolvimento das crianças. O conteúdo parece bem elaborado, mas é estático e acho isso um tanto inadequado para a Internet. Está bem que as grávidas devem ter todas mais ou menos as mesmas questões, mas é um tanto aborrecedor visitar um site que nunca muda, mesmo que seja só no período de nove meses.

De qualquer modo, acho que o laboratório identificou bem um grupo de pacientes que merece atenção especial. É preciso aprender muita coisa sobre as transformações do corpo e os cuidados com uma outra vida e poder ser útil neste momento especial de alguma forma é importante para marcas que lidam com esse público. Só podia ter caprichado um pouco mais.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Canal de receitas

Ovomaltine lançou branded channel de receitas no portal Vamos Comer TV


Sempre achei que as marcas que lidam com alimentação e beleza têm um universo infinito de conteúdo a explorar. Ovomaltine parece ter entendido isso e lançou no final de dezembro um branded channel dentro do portal Vamos Comer TV com receitas que levam seus produtos entre os ingredientes.

Particularmente, achei tudo bem feito. Escalaram a chefe Luiza Nakazato para a apresentação dos primeiros vídeos e, embora falte um pouco de desenvoltura na frente das câmeras, sobra carisma e simpatia, o que é um ponto muito positivo. Além disso, ela passa várias dicas que podem ser aproveitadas em outras receitas também. Coisas de quem tem intimidade com a cozinha e, neste aspecto, faz toda a diferença ser uma receita feita em vídeo e não apenas uma lista de ingredientes e o modo de preparo.

Uma coisa que me agradou em particular é a boa edição dos vídeos que, em um tempo médio de cinco minutos, dão conta de apresentar todos os ingredientes e a execução da receita, trazendo dicas extras e o rendimento das receitas.

O interessante é que o usuário também pode participar do canal, enviando suas receitas em vídeo. Eu que sou consumidora da marca e adoro comer e preparar um doce, com certeza vou testar algumas receitas.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

O melhor de 2012

O case da Chipotle venceu a categoria de branded content em Cannes no ano passado


Acho que é válido um post de retrospectiva para começar o ano no Conteúdo de Marca porque 2012 foi um ano bastante marcante para o custom content. Primeiro porque o tradicional Festival de Criatividade de Cannes pela primeira vez teve uma categoria para premiar os melhores trabalhos de conteúdo. O case Chipotle, muito bem executado levou a melhor, mas outros também chamaram a atenção como o o livro fumável do Snoop Dog e o case divertidíssimo da salsa de Porto Rico.
Por aqui também muita coisa fez barulho nesta área. O case Perdi Meu Amor na Balada foi o mais lido deste blog. Aliás, é o post com maior número de acessos entre os 72 que eu fiz por aqui. O case Gina Indelicada também bombou a audiência. Eu fiquei bastante surpresa com o número de vezes com que tive que interromper a minha programação para falar de coisas que estavam acontecendo no momento e com a boa reação da audiência em relação a elas. O número de sugestões de pauta que recebi também mostrou o quanto as pessoas têm se envolvido e reconhecido o custom content.
Depois de uma pausa para recobrar as energias, o Conteúdo de Marca volta a todo vapor, com pautas pelo menos por mais seis meses, sem contar com as novidades que devem pedir lugar no meio do caminho.  Pensei em algumas mudanças que devem acontecer ao longo do ano, alguns especiais, algumas pesquisas e espero ter muitos cases para comentar por aqui, além de poder apresentar para vocês os primeiros cases da Cabrun!. 2013 promete.

PS: Recomendo a leitura deste post, com tendências na área editorial para 2013. Muitas delas também se aplicam ao custom content.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

2013: um ano para abrir a felicidade


Depois de mais de 30 anos, Papai Noel leva presentes a adultos que lhe mandaram cartinhas na infância no case da Coca-Cola

Confesso que passei o ano inteiro tentada a postar aqui este case fantástico da Coca-Cola e me controlei porque sempre achei que seria uma linda maneira de encerrar as publicações do ano no Conteúdo de Marca. Bom, para mim, a Coca-Cola é a empresa que melhor trabalha a sua comunicação tanto em propaganda quanto em conteúdo e esse case Santa’s Forgotten Letter (As cartas esquecidas do Papai Noel) é quase uma obra de arte quando se pensa em conteúdo, storytelling e o espírito de uma marca. A versão de 30 segundos está passando na televisão, mas emoção mesmo a gente sente vendo o original, que tem mais de quatro minutos.

Está em inglês, mas eu não acho que é preciso dominar a língua para se emocionar com as imagens. A primeira vez que o vi foi em janeiro deste ano, quando um colega o apresentou no curso de storytelling como ferramenta de branding na ESPM. Fiquei absolutamente encantada. Deve ter sido um trabalho de pesquisa grande recuperar as cartas enviadas há mais de 30 anos e localizar as pessoas que as enviaram para finalmente entregar-lhes os pedidos. O resto parece fluir muito naturalmente, a emoção ao ler a carta há muito tempo, a surpresa ao ver o presente e reafirmar a crença em Papai Noel. Essa retomada da magia da infância é muito comovente.

Uma ação como essa tem tudo a ver com a proposta da marca, de estar presente na vida das pessoas durante as melhores experiências, mas também mexe com o individual. Ao mesmo tempo que nos emocionamos, buscamos em nossa memória e em nosso repertório os nossos momentos de satisfação, magia e felicidade.

Para mim, 2012 foi um ano bastante intenso, de muita provação, de muita tensão, mas também de muitas coisas boas, viagens, o blog, a Cabrun! e o apoio inquestionável de amigos e da família. Para manter o espírito de mágica nostálgica, vou emprestar o slogan da Coca-Cola – um dos mais felizes de todos os tempos, na minha opinião – para expressar o que eu desejo para mim e para vocês no ano que está chegando: que possamos constantemente abrir a felicidade e reconhecê-la em todos os lugares, inclusive nas pequenas coisas. Beijos e até 2013!


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Os 10 princípios do engajamento




Mais uma do International Content Marketing Summit 2012: a apresentação de um estudo conduzido feito para desvendar o que leva uma pessoa ao engajamento (veja o material completo aqui). A pesquisa foi uma iniciativa da agência de RP Weber Shandick e da Canvas 8, uma agência de insights comportamentais e traz as perspectivas de um antropólogo (Dr. Grant McCracken), de um psicólogo (Dr. Oliver Oullier) e de um neurocientista (Dr. Thomas Ramsoy). Vale muito a pena dar uma olhada neste material completo,que traz explicações completas de cada um destes profissionais, além de outros 19 elementos do engajamento, mas por aqui vamos ficar com os 10 princípios, o que já é bem interessante.

1) Engajamento é um recurso finito: o engajemento com uma coisa sempre se dá aos custos de outra. Atenção e esforço são limitados. Prestar atenção requer pouco esforço, já interagir e participar requerem muito. As marcas precisam seer realistas sobre o que elas querem das pessoas e claras na comunicação do que as pessoas podem esperar em troca.

2) Engajamento requer reciprocidade: O engajamento requer tempo, esforço e energia das pessoas. O cérebro processa esse custo em expectativas de recompensa. Marcas que querem alto engajamento precisam oferecer alto retorno. Pode ser um retorno tangível, como um voucher, mas pode também ser algo mais suave e a longo prazo, como a sensação de pertenção ou status. Para atingir este segundo tipo de recompensa, é necessário enteder muito bem o terreno comum entre os objetivos individuais e objetivos de marca.

3) O engajamento não é binário: ele varia de pessoa para pessoa, de contexto para contexto.

4) Engajamento é o que queremos e o que gostamos: os especialistas observam que o nosso cérebro processa todas as decisões como potenciais recompensas orientando-se por dois sistemas: o que a gente quer e o que a gente gosta. O primeiro é conduzido pelos nossos desejos subconscientes e as decisões que vêm dele geralmente são mais a curto prazo. Já as decisões que vêm do que a gente gosta são frutos dos desejos conscientes, de planejamento para o futuro e são concretizadas a longo prazo.

5) Imediatismo gera engajamento: quanto mais imediata for a recompensa, maior o engajamento.

6) As decisões de engajamento são pós-racionalizadas: o melhor dos mundos para as marcas é harmonizar o sistema de decisões número 1 (querer) com o número 2 (gostar).

7) O engajamento pode ser dividido em capturar e construir: a marca captura o cliente no momento da compra, quando ele é orientado pelos seus desejos e necessidades. O uso e a convivência com o serviço ou produto correpondem à etapa de construção do engajamento.

8) O engajamento beneficia-se dos multicanais: o psicólogo Oliver Oullier destaca que a religião é um excelente benchmark para o engajamento. A religão aplica múltiplas camadas de engajamento, uma reforçando a outra. Ela captura o engajamento com narrativa, acessibilidade e uma promessa de recompensa, construindo relações de longo-prazo por meio de envolvimento social, valores comparilhados, integridade e propósito.

9) O negativo sempre supera o positivo: resenhas, associações, experiências, testemoniais e comentários negativos sempre levam mais crédito do que o negativo. Podemos estar positivamente engajados, mas somos fortemente influenciados pela negatividade.

10) Engajamento une experiência com expectativas: toda decisão de engajamento é conduzida pela experiência individual (com uma marca, negócio ou organização) e suas expectativas.
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